O poder do “só vão” e a música autoral

O poder do “só vão” e a música autoral

Prazer, meu nome é Gabriel Peixoto mas na internet me chamam de Peixota, o alto-falante que berra as palavras “só” e “vão” juntas como se fossem vírgulas. Até os 19 anos eu não ia, eu ficava em casa vendo os DVDs que vinham das lojas de conveniência de um shopping há poucas quadras da minha casa. Até que, enfim, as coisas mudaram.

Eu fui. Mercado das Borboletas, praças, boates, casas de show. Fui no Bar da Cácia cantar Banda UÓ e n’A Autêntica curtir as maravilhosas apresentações da primeira edição do Festival MUSA. O “ir” se tornou uma ação tão importante, instintiva e natural na minha vida que meus pés começaram a estranhar a familiaridade dos pisos de casa: eles estavam se acostumando com os cimentados da rua.

Foto: Flávio Charchar

É sobre encontrar

Nessa quantidade absurda de rolê eu conheci muita gente. Amigos, profissionais da minha área (comunicação e cultura), enfim, muita gente mesmo. Nos ires-e-vires das minhas próprias inquietações eu encontrei uma irmã que não veio da mesma família: Talita Cordeiro, produtora cultural. A gente se deu bem logo de cara e, periodicamente, começamos a “só ir” juntos. Outro amigo, o Eduardo (vai ser jornalista em breve, olha o orgulho!), também começou a me acompanhar. Um dia, por exemplo, nós “só fomos” e curtimos um show lindo da banda Carmen Fem, uma das minhas favoritas.

Falando em show, em banda e em ir, preciso dizer que enquanto jornalista musical eu faço questão de prestigiar os shows autorais da minha cidade (Belory é Belory, né) e de lá (2015) pra cá meus dias são tomados por trilhas sonoras que estão próximas de mim. E é nesse ponto que eu “firulei” para chegar: a música autoral.

A galera toda sabe que a grana é curta e que é difícil (pra não falar uma palavra do refrão do funk de maior sucesso do grupo Os Avassaladores) ser independente. Dá muito trabalho cuidar da comunicação, da produção, da gestão, do financeiro e de todas as - quase infinitas - coisas que circulam a música autoral. É muito som acontecendo e é muita gente boa, é muita ideia fritando e saindo do forninho. É muito. É demais.

Ir, só ir

Para se destacar no meio dos milhares é necessário, sim, fazer um bom trabalho em todos esses segmentos que eu citei. Tem que ter uma assessoria eficiente, uma produção com garra, uma gestão inteligente… “Mas como conseguir isso tudo sem aqué, dimdim, cash, - famigerado - dinheiro?” é a pergunta que deve aparecer agora. Lembra do “só vão” do começo desse rolê textual? É aí que está! Bandas, artistas, vocês precisam ir, “só ir”, ir mesmo. Ficar até o final das apresentações daquelas noites em que sua banda abriu uma série de outros shows, sair de casa, ir nas casas fazer contatos. O networking na música também existe, viu?

O autoral acontece nos estúdios, nas “casas dos artistas” (atenção à referência televisiva), nas garagens e bares, mas ferve e explode nos palcos, sejam eles pequenos e improvisados ou gigantescos e iluminados. É nessa cena que todos estão (ou deveriam estar).  É desse cenário que eu gosto, é nele que eu vivo, que eu conheço Talitas e reforço amizade com Eduardos.

É nesse espetáculo que a gente precisa ir. Só ir.

Só vão”.

Se você vive de música,  precisa estar muito atento às mudanças no cenário. Inovação é a chave para o sucesso no mercado musical!

Sobre o Autor

Gabriel Peixoto

Jornalista, crítico musical, designer gráfico, produtor cultural, DJ especializado em música autoral, escritor, viado e precursor da geração emo 2.0. É viciado em batata-palha, em abraços apertados e tirar fotos da cara. É conhecido como ˜só vão˜.

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