Carreira Musical e Maternidade: como é ser MÃE na música?

Carreira Musical e Maternidade: como é ser MÃE na música?

Bobagem quem diz que toda mãe é igual. Convivemos diariamente com vários tipos de mães: solteiras, comprometidas, jovens, conservadoras, liberais e até artistas e musicas. No mês de maio o assunto maternidade sempre é colocado em pauta, oferecendo uma reflexão importante sobre o que se espera da mulher na sociedade e o quanto a maternidade permeia essa expectativa.

Em uma sociedade onde a mulher precisa superar diariamente os desafios da desigualdade de gênero e provar o seu talento, o cenário musical tanto no Brasil quanto em outros países não apresenta uma perspectiva muito diferente. Muitas artistas são questionadas por conciliar carreiras brilhantes com a criação de seus filhos e não se dedicarem completamente à maternidade, como se essa responsabilidade fosse exclusiva da mulher. Quantos fãs de cantoras e compositoras preocupam-se com uma possível pausa na agenda de gravações e shows quando uma gravidez é anunciada? O mesmo acontece quando um artista anuncia que vai ser pai?

Foto: Cássia Eller - Créditos: Acervo Pessoal

Mães da música

A representação feminina na cultura ainda é muito idealizada e focada nos extremos: ou uma mulher dedica-se ao lar e a família ou investe na sua carreira, deixando até mesmo de ter filhos. Não existe certo ou errado. Existe o poder da escolha e a consciência de suas implicações. Uma mulher não precisa ser apenas mãe ou apenas profissional: o equilíbrio é possível, se essa for a vontade da mulher.  O importante é a possibilidade de decisão e o entendimento de que ninguém precisa se encaixar na caixinha do que a sociedade espera das mães e das mulheres. Na música temos vários exemplos femininos fortes que mostram que as idealizações sobre maternidade estão longe de serem reais.

A Cássia Eller, que nunca escondeu a sua sexualidade de ninguém, foi mãe nos anos 90 e criou o filho Francisco com a sua companheira Maria Eugênia. Cássia não deixou de fazer música e nem trocou a sua carreira por uma vida pacata dentro do lar. Suas turnês e gravações continuaram até o seu falecimento em 2001.  Com 23 anos atualmente, Francisco Eller, o Chicão, já concedeu diversas entrevistas ressaltando o ambiente repleto de amor onde cresceu. A cantora inglesa Adele teve o seu primeiro filho em 2012, e optou por dar uma pausa em seus compromissos profissionais para dar mais atenção a educação e criação do seu primogênito. Ela só voltou para turnês em 2015, quando lançou o disco "25", e falou abertamente sobre a pressão de ser mãe e como sofreu com a depressão pós-parto, questionando se a decisão de interromper a sua carreira no auge teria sido ideal. Apesar da dificuldade em voltar a compor, o seu  terceiro disco foi bem recebido pelo público e traz até letras sobre a sua experiência com a maternidade, na música "Sweetest Devotion".

A maternidade nas canções

E não é só a Adele que transformou a bagagem como mãe como material para compor suas músicas: várias artistas já dedicaram canções para expressar os sentimentos que seus filhos trazem a toa. Em seu álbum homônimo, Beyoncé dedica a faixa “Blue” para falar da dedicação e o amor que sente pela filha Blue Ivy. Os sentimentos não são a única inspiração que os filhos podem trazer para a música: em seu primeiro trabalho solo em 1998, a cantora Paula Toller musicou as perguntas que seu filho costumava fazer quando era criança. A música “Oito anos” também foi gravada por Adriana Calcanhotto no álbum “Adriana Partimpim”.

Como nossos pais

A influência das mães na formação e escolha profissional de seus filhos é algo inegável, mas frequentemente o contexto e o legado musical fazem essa predisposição ir mais além. Muitas mães cantoras inspiraram suas filhas a seguirem a mesma carreira, como é o caso de Maria Rita, que percebeu aos 24 anos que a genética não era a única coisa que tinha em comum com a  Elis Regina.

Foto: Rubens Cerqueira

Em 2012, Maria Rita homenageou a mãe interpretando suas canções no espetáculo "Viva Elis", que foi apresentado em cinco cidades gratuitamente. Bebel Gilberto é outro nome que cresceu em um ambiente muito propício a música e seguiu a mesma carreira que os pais. Filha do casamento entre Miúcha e João Gilberto, Bebel começou a carreira participando de musicais como Pirlimpimpim e Saltimbancos e é hoje reconhecida mundialmente por seu trabalho com a bossa-nova.

Homenagens musicais

Os filhos também usam suas canções para se expressarem sobre suas mães: são muitos os músicos que falam sobre suas relações maternas em músicas. Em “Julia”, presente no “White Album” dos Beatles, John Lennon homenageia a mãe que morreu em um acidente de carro quando o cantor tinha apenas 17 anos. Lennon também volta a falar sobre a sua complicada relação familiar com os pais anos depois em seu trabalho solo com “Mother”. Caetano Veloso é um outro compositor que também faz da música um meio de prestar homenagem a mãe Dona Canô, em músicas como “Mãe” e “Mamãe Coragem”.

Além das canções que falam especificamente sobre as mães, existem também músicas com uma memória afetiva que nos fazem lembrar as figuras maternas presentes em nossa trajetória. Qual música te recorda a sua mãe?

Sobre o Autor

Nina Rocha

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